Paralisação do setor de transporte de valores continua e provoca dificuldades nos saques
Samira Mara Hahn
Publicado 10/07/2012 às 00:40:44
- Atualizado em 10/07/2012 às 00:50:33
SEM SERVIÇO Quem procurou os caixas eletrônicos de um posto, no bairro Vila Nova, não teve sorte (Fotos Eduardo Montecino)
Quem precisou sacar dinheiro nos terminais bancários da região nos
últimos dias não teve sucesso. A greve dos trabalhadores do transporte
de valores, que iniciou no dia 2 de julho, causa falta de dinheiro nos
caixas da cidade.O administrador, Guilherme Boron, 23 anos, sentiu
dificuldade para sacar dinheiro ontem de manhã. Ele passou por duas
agências do Banco do Brasil para conseguir sacar e pagar as contas da
empresa. “Na outra agência fui até a boca do caixa e não tinha a quantia
que eu precisava”, lamentou.
Ontem à tarde, em Itajaí, teve uma reunião dos grevistas com o setor
patronal das empresas de transporte de valores, mas não houve acerto. A
paralisação continua, sem previsão para o retorno.Entre as
reivindicações da classe trabalhadora estão o aumento de 10% no salário e
o pagamento integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC),
criado com o objetivo de orientar os reajustes de salários dos
trabalhadores.
Segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Jaraguá do Sul,
Ademir Edson Fernandes, a cidade depende dos trabalhadores de Joinville
para o abastecimento dos caixas. Ele conta que 98% dos trabalhadores
estão em greve, e que isso representa cerca de 200 pessoas. O presidente
explicou que as empresas oferecem apenas 4,5% de aumento.
Já o Presidente da Federação dos trabalhadores no Transporte de
Valores em Santa Catarina, Luiz Carlos da Silva, disse que quase a
totalidade aderiu à greve. Ele conta que 1,6 mil trabalhadores estão
parados em todo o Estado. “Se não entrarmos em acordo a paralisação vai
continuar”, afirmou Silva.
Procon pode ajudar
O Diretor do Procon de Jaraguá do Sul, Adilson Macario de Oliveira
Junior, explica que o consumidor que se sentir prejudicado por não
conseguir retirar dinheiro, deve solicitar ao banco uma carta por
escrito, informando o acontecido e levar ao Procon. Essa carta serve
para que o órgão consiga abrir um processo administrativo contra o banco
responsável. Segundo o presidente, até ontem não havia recebido nenhum
caso de reclamação oficial. O Procon fica na rua Donaldo Gehring, 175,
Centro. O telefone é o 3275-1425.
Sem dinheiro para aluguel
A zeladora Elise Lopes, 38 anos, estava na fila para saque no
Bradesco e não sabia se iria conseguir o dinheiro para pagar as contas.
Ela reclamou que os bancos não estão informando qual o limite máximo
para retirada. “A gente precisa enfrentar a fila e só sabe se tem
dinheiro depois que já perdeu tempo”, relatou. Elise precisa do dinheiro
para pagar o aluguel. “Se eu não conseguir o valor vou ter que pagar
depois”, disse. Ontem, as agências do Bradesco liberavam apenas R$ 500
dos caixas eletrônicos.